Meu amigo postou no site do Couchsurfing que precisávamos de hospedagem e conseguimos uma casa para passarmos os 4 dias. Tora, o menino que ia nos hospedar foi, inclusive, nos buscar na estação de trem na manhã da sexta-feira e nos levou para o tour de
atrocidades dos animais (pra lembrar, foi ele que sugeriu que fossemos ao Pet Center perto da estação. Eu tinha certeza que a gente ia parar numa loja de coisinhas veterinárias, que nem a da Marginal em SP, já achando que ia ser um tédio, mas foi muito pior).
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Milhares de animais nas mesmas gaiolas, sem espaço pra nada e os pintinhos coloridos :( |
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Todos os tipos de insetos e os corredores minúsculos e sujos do "PetCenter" |
Depois do primeiro choque com a cidade, fomos para a casa do nosso host. O menino era um amor de pessoa, super simpático e a casa dele era super bonita! O único problema (e eu odeio reclamar de hospedagem no CouchSurfing porque já é de graça, né? ahaha) é que não haviam colchões (ou sofás, ou qualquer coisa macia) para dormir. Claro que ninguém sequer pensou em tentar conseguir um saco de dormir ou colchão inflável para a viagem. A única coisa que o quarto tinha eram aqueles tapetes de EVA montáveis, usados para crianças arteiras não cairem e quebrarem a cabeça. Três dias dormindo nesse chão e eu senti saudades até do banco do trem. O hotel de 2 dólares então, já me parecia um sonho distante.
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Na sala ainda tinha esse sofázinho, mas no nosso quarto era só chão mesmo. |
O dia seguinte era o dia do passeio até o vulcão. Uma outra amiga de Semarang decidiu ir de ônibus até a cidade com mais duas pessoas e decidimos fechar um tour todos juntos. Passamos a tarde ligando e procurando na internet agências que fizessem o passeio, e depois de muuuito custo (e barganha ahaha) fechamos por 35 dólares cada. O tour tinha de tudo. Passeio de Jeep, nascer do Sol na montanha, subida até a boca do vulcão, sandboard, passeio pelos campos de flores, almoço no deserto, cachoeira, templo ahahaha 12 horas de pura diversão. Tirando que, o mocinho passava na sua casa às 3h da manhã pra começar tudo. A bela adormecida aqui, que já tem por hábito acordar serelepe e feliz (nunca), estava com um sorriso ainda mais sincero no rosto de ter dormido no chão e acordado às 2h30 da manhã, depois de uma noite dormindo no trem.
Quando o mocinho do tour nos buscou, a primeira coisa que ele pediu foi para a gente não comentar o quanto pagamos com os outros dois turistas que iam nos acompanhar. Isso porque eles estavam pagando 90 dólares CADA. Ê Indonésia dos golpes ahahaha
Entramos no Jeep e seguimos por quase 2 horas até o topo de uma montanha, para ver o nascer do Sol e o vulcão. Quase no topo dessa montanha, o lugar já estava cheeeeio de carros parados e o motorista falou pra gente descer no meio do caminho e correr se não quisessemos perder o nascer do Sol. Eu ia começar a argumentar com o pessoal que o Sol nasce todo dia e perder essa vez não ia fazer tanta diferença, que podíamos esperar e ir de Jeep mesmo ahahaha Só que antes de eu começar, todo mundo já tava na marcha atlética, subindo a montanha. Então, pela 23ª vez neste país, eu tive que correr morro acima. Cheguei arfando e xingando em português baixinho as gerações passadas de todo mundo que eu via pela frente. E não era pouca gente, porque quando finalmente chegamos lá, estava LOTADO. Nunca vi tanto japonês na Indonésia. Tivemos que pular uma gradezinha de proteção e ir pro meio do mato para conseguir ver alguma coisa. E claro que super valeu a pena :)
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Recupera o fôlego e aprecia a vista :) |
Agora vem a trollagem do vulcão. Quando nós tiramos as fotos, tínhamos certeza que o vulcão Bromo era esse monte de terra atrás da árvore, com forma de vulcão (tcharam), lindo e fofinho. Nada. Tá vendo a fumacinha láaaaaaa no cantinho esquerdo da foto que eu to sozinha? Aquele tequinho de fumaça saindo de um buraco sem forma de vulcão? Bom, aquilo é o Bromo. ahahahah Ou seja, tenho um book de fotos, com um montinho de terra que não é o vulcão famoso.
Ficamos um bom tempo na montanha e voltamos para o Jeep para, dessa vez, subir o vulcão Bromo. Só que ninguém disse que era uma Via Sacra no deserto pra chegar lá. O mocinho estacionou e falou "Vai lá gente, tô esperando aqui no carro!" ahahaha
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O passeio de Jeep tava SUSSA, até chegar à Via Sacra do vulcão. |
Não eram nem 7 da manhã, o Sol começou a arder e as rajadas de vento vinham carregadas de areia, com o objetivo específico de acertar os olhos e a boca de qualquer um que se arriscasse a andar no meio do deserto. Quando eu cheguei em Semarang depois dessa viagem eu fui jantar e senti que ainda tava mastigando areia. Sério.
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Estilo para visitar um vulcão. Ou você tem, ou você não tem. |
234 km depois, chegamos no topo do vulcão Bromo, que... não é nada demais ahahaha É só esse buraco sem graça e sem forma, com a fumaça (provavelmente tóxica) rolando. Se o vulcão famoso fosse aquele outro que tinha mesmo forma de vulcão, tenho certeza que faria mais sucesso.
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Oferendas e as macumbinhas para o vulcão. |
Depois do vulcão, paramos no meio do deserto pra fazer Sandboard, o famoso surfe de areia. Fui toda alegre e feliz, tomei um capote no meio da descida, mas foi super divertido! Peguei a prancha já pensando em descer de novo, em começar a praticar sandboard, fazer disso meu novo hobby. Até eu botar a patinha pra subir o morro de areia. Quem conseguia? A areia ia escorregando, a prancha era meio pesada, e eu demorei uns 15 minutos pra voltar pro topo. Desisti na hora da segunda descida e do meu futuro profissional no Sandboard. :(
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Cachoeira, Sandboard, deserto, vulcão. Diversão pra toda família. |
Continuamos seguindo caminho por que o tour era infinito ahahah Passamos por umas plantações de seiláoque, algumas de arroz, outra montanha e chegamos na cachoeira. Almoçamos (arroz e miojo, claro), e curtimos a cachoeira mais gelada do mundo (quem levou biquini para a viagem?). A última parada era em algum templo hindu no meio do caminho, mas estávamos todos mortos e falamos pro motorista passar direto ahaha Voltamos para a casa do nosso host e morremos por horas.
De noite, eles nos convidou para um encontro do pessoal do CouchSurfing. Eu e meus amigos, já conhecendo todo o estilo de saídas noturnas da Indonésia, aceitamos por educação, já preparados para o pior. Eles falaram que o encontro ia ser num bar. Eu perguntei umas quatro vezes "bar, bar? Tipo bar com álcool?" ahahaha E foi aí que eu conheci djovens indonesianos
normais que saem pra beber, pra dançar e usam roupas curtas ahahaha E muitos deles continuam sendo muçulmanos, só que não concordam com todos os pontos da religião (o que acontece também com muitos católicos, cristãos e afins). O que me fez pensar que escolhi a cidade errada pro meu intercâmbio (mentira, adoro Semarang <3 ahaha).
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Festa com cerveja e drinks de verdade! Paraíso. |
Esse mesmo pessoal da festa nos convidou para ir para a praia no dia seguinte. Alugamos dois carros e seguimos durante 2 horas e meia até chegar à costa. A praia era linda e a água clarinha. Super super super rasa, dava pra andar 1km e ainda ficar de pé. Passamos a tarde toda na praia e voltamos já de noitinha para outro bar em Malang ahahaha
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Os cocos gigantes, sempre acompanhados do prato de miojo e arroz ahahah |
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Comida fresca, de verdade. ahahaha |
Na volta, não tivemos a mesma sorte com o trem. Voltamos para Semarang na segunda-feira, ainda de dia, pois era o único horário disponível. Entramos em um vagão relativamente vazio e cada um já se jogou para um banco separado. Só que em menos de uma hora de viagem os guardinhas decidiram passar e conferir todos os tickets e os números dos assentos. Resultado: fomos jogados para nossos lugares de verdade, em um vagão cheio. Bateu inclusive a brisa da saudade do Calmon Viana -mentira.
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50 ways de tentar achar uma posição confortável no trem. |
O mais engraçado desse trem é quando o pessoal entra pra vender as coisas. Enquanto no Brasil a gente tem amendoim e chocolate, a Indonésia já tá no nível profissional. É arroz, frango, biscoito, refrigerante, suco, miojo. Tem de tudo. O miojo pré-pronto lá se chama Pop Mie. Nada mais agradável do que demorar 3 horas pra conseguir descansar os olhos e acordar no pulo com alguém gritando "PÓPMI, PÓPMI, PÓPMI" na sua orelha. Depois de mais de 10 horas, porque o trem sofreu alguns atrasos, chegamos de volta à nossa Semarang querida.
- Nunca sei como finalizar o texto ahaha sempre acho que acaba do nada. Até pensei em tentar uma conclusão, frase de música, moral, mas não rolou. ahahaha -
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